Torre de Marfim ou até quando

Postado em Angústias, Impressões às Agosto 15, 2008 por Juliano Barreto

Passaria a eternidade a sofrer aquela rotina miserável? Eu não queria ser como meu pai! Eu queria ser mais, bem mais. Um cigarro chegava ao fim, poucas palavras estavam escritas e eu ainda remoia a idéia de ser grande. Ultimamente tenho estado muito agitado e descontente, tudo parecia tão louco, minha vida, meus amigos, minha família, e o pior é que eu sabia que nada aconteceria a não ser que eu me permitisse. A noite era o momento em que tudo acontecia, minha cabeça doía , os fatos se enrolavam, subiam e desciam na montanha russa que era minha mente. Muitas músicas se adequariam aquele momento, eu queria saber compor algo tão bom mas sempre pensava que a falta de uma bateria pra marcar o tempo era duro demais, seco demais. A vida seguia uma estrada para ruína total, o suicídio sempre pareceu uma boa saída só que agora viver era mais importante. Viver e deixar rolar, esse era o verso que faltava. Meu pé pesado e meus velhos preconceitos me impediam de chegar naquele ponto onde os mais velhos diziam que jamais deveria ir. As palavras de minha mãe caiam como luvas, sempre certas e sincopadas, falando coisas de como os outros destroem sua vida. Paro e me pergunto e a sua vida mãe, Não está destruída? Não seria melhor eu pegar o caminho errado e descobrir por mim mesmo, o que dará errado?
Renegar todos aqueles velhos dizeres podia ser o caminho certo. Poderia?! Claro que poderia e daí eu seria algo que eu nunca fui, um novo eu, capaz de ver e sentir o que aparecer na minha estrada. A madrugada se aproximava, eu sentia o vento de chuva soprar na janela. Meu tempo chegava ao fim e o meu quarto era tão pequeno, alguns metros quadrados de mim mesmo, trancado e solitário. Uma explosão de coisas se mexia na escuridão em algum ponto da cidade. Eu tremia por não estar lá e me perguntava até quando eu iria deixar isso acontecer. Talvez eu encontre alguém que me tire desse poço, é isso mesmo, um dia terei alguém ao meu lado que me fará quebrar essa barreira e aí sim eu abrirei a porta do meu quarto, colocarei minha camisa nova, telefonaria pra você e sairíamos pela noite, guiados somente pelos nossos instintos para fazer tudo aquilo que eu nunca fiz.

A resposta está no cais

Postado em Angústias, Notícias sobre o Porto às Agosto 5, 2008 por Juliano Barreto

No fundo eu sabia que apesar dos navios já terem partido os porquês continuavam atrelados ao cais! Não era mais uma corrente e uma âncora, era uma corda velha e bem trançada que me atava a um destino trágico.

As águas que banhavam este local eram azuis enegrecidas e o sargaço crescia longo do fundo chão do oceano. Os raios de sol cortavam as correntes marinhas como lâminas flexíveis e intermináveis. Em meio ao caos forçosamente organizado desta paisagem jazia o meu porto. Um porto decadente e destruído cercado pelo mar negro e revolto da inconsciência humana. Um deserto em si! Ali ficava meu estaleiro onde eu construía meus navios e os lançava ao mar. Cada um deles era projetado com o maior zelo. Muitos deles, eu ainda guardo comigo, aprisionados num saguão, onde nunca singrarão qualquer oceano. Entretanto estes, mesmo velhos e avariados, anseiam por partir e cantam em tons fúnebres melodias que me advertem a não enclausurar os meus anseios. Este cemitério de sonhos quebrados toma quase toda extensão do porto, mas na ala norte há um certo estaleiro, um desses ainda com cheiro de tinta fresca e rum que está repleto de embarcações prontas pra partir e de outras que mesmo ancoradas teimam em entrecortar as espumas das ondas que quebram um por sobre a outra.

Por sobre o porto uma tempestade de pessimismo sempre na urgência de surgir, ameaça. Os ventos frios vindos da solidão sopram eventualmente assolando panfletins e jornais repletos de velhas memórias. O sol ás vezes finge que eu gosto dele e ensaiava passeios matinais por entre as nuvens carregadas de incertezas. Deste clima instável e imperfeito que se valia o meu porto alguns navios se atracavam ali, quer por mero capricho da aleatoriedade, quer atraídos pelos cantos de sereia que se escondiam ali.

Contudo o que mais incomodava os estrangeiros que aportavam eram os barcos amarrados, presos a um lastro pétreo e pueril que os impedia de singrar os mares tão desejados, como se os seus capitães hesitassem por alguma razão covarde deixar seus navios seguirem seus propósitos.

Lament

Postado em Músicas às Julho 20, 2008 por Juliano Barreto

Lament for my cock
Sore and crucified
I seek to know you
Aquiring soulful wisdom
You can open walls of mystery
Stripshow
How to aquire death in the morning show
TV death which the child absorbs
Deathwell mystery which makes me write
Slow train, the death of my cock gives life
Forgive the poor old people who gave us entry
Taught us god in the child’s praye in the night
Guitar player
Ancient wise satyr
Sing your ode to my cock
Caress it’s lament
Stiffen and guide us, we frozen
Lost cells
The knowledge of cancer
To speak to the heart
And give the great gift
Words Power Trance
this stable friend and the beast of his zoo
Wild haired chicks
Women flowering in their summit
Monsters of skin
Each color connects
to create the boat
which rocks the race
Could any hell be more horrible
than now
and real?
I pressed her thigh and death smiled
death, old friend
death and my cock are the world
I can forgive my injuries in the name of
Wisdom Luxury Romance
Sentence upon sentence
Words are the healing lament
For the death of my cock’s spirit
Has no meaning in the soft fire
Words got me the wound and will get me well
If you believe it
All join now and lament the death of my cock
A tongue of knowledge in the feathered night
Boys get crazy in the head and suffer
I sacrifice my cock on the altar of silence

Fadado ao insucesso

Postado em Angústias às Julho 20, 2008 por Juliano Barreto

Gostaria de ser aquilo não sou!
Por que não consigo!?
O porque jaz junto com o sangue derramado
naqueles fatídicos dias de minha infância.
O meu medo, companheiro de tantos anos.
A minha angústia, mãe de todos as horas.
O meu pessimismo, filho prodigo incesseparável.
E um eu impossível e improvável.
Habitam o fundo do saco e gritam em minha mente.
Fustigando o fraco e impontente ego.
Que já abalado por tantos outros conflitos, se retrai.
Neste embate um desvalhido surge
Um eu!
Eu!
O insatisfeito e velho jota.
Até quando aguentarei ser essa criatura?
Nem eu mesmo sei!
Mas prefiro fingir que próxima semana eu serei
Aquilo que sempre quiz ser.

Estado de arte

Postado em Vamos falar sobre arte às Julho 17, 2008 por Juliano Barreto

O que é arte?
Será a expressão da completa falta de rumo do ser humano?
Será a manifestação mais pura da mente de uma pessoa ou apenas algo criado randomicamente e que alguns afirmam ser genial.

Talvez seja tudo isso! E mais um pouco.

Divagações sobre o início

Postado em Angústias às Julho 16, 2008 por Juliano Barreto

O começo é sempre a parte mais difícil do todo!
Um velho proverbio chinês que eu particularmente gosto de usar diz o seguinte
“o início é a metade do todo”
Este período é cercado de angústia e de medo, já que trilhar um caminho requer um primeiro passo!
Fascino me com o sofrimento e com o esforço que emprego nesta fase.
Sempre hesito e a angústia florece, em meio a esse despero, me maravilho com o sabor do desconhecido que insiste em descer pela garganta. Perco o controle, as pernas bambeiam, o coração acelera, falta me a saliva, as palavras amaragam ao sair. Daí percebo que estou em casa, estes sentimentos sempre me acompanharam, pelo menos desde que me entendo por gente.
Após ter firmado o pé na estrada, piso no acelerador, vou embora mesmo tendo o abismo a minha frente e o coração apertado pelo medo de perder aquilo que mais anseio.
As coisas seriam muito mais fácil se eu me permitisse mas quem disse que eu quero as coisas fáceis!
O inatingível me fascina tanto quanto a insegurança do começo.